Sunday, April 20, 2008

Abismo...

Agarrando-me aos estilhaços de esperança
Deixo-me consumir pela insegurança
Contando inúmeras lágrimas de prata
Escondo, dentro de mim, o que me mata

Cânticos inocentes confundem o coração
Gotas de chuva gelada libertam a solidão
Sonhos infelizes perturbam a vida real
Palavras envenenadas e um destino fatal

Abre os olhos e vê os pedaços a vaguear
Fazem parte da alma que não conseguiu aguentar
A tristeza da vida e o sofrimento do mundo
Deixou-se cair nesse abismo profundo

Thursday, March 27, 2008

Conversas comigo mesma...

"Reflexos de um espelho de memória
Distorcem o olhar do coração
Escondem a alegria na escuridão
Imaginas-te a contar a tua história?

A preocupação, a tristeza
Que suavemente guardas no regaço
Que torna o teu olhar gélido e baço
Que te faz sempre sentir tão presa"

"Essa preocupação, por mim sentida
É porque existo para os ajudar
E se eles não soubessem cantar
De nada serviria a minha vida

E se a infelicidade me matar
Eles me guardarão na memória
Para que serve contar a minha história
Se não existir história para contar?"

Tuesday, March 18, 2008

Questões...

Nenúfares, na mais branca paz
Cobrem um lago de solidão
Se tudo a melancolia desfaz
Poderá ainda alguém dar-me a mão?

Será a vida doce analogia
Num mundo repleto de solidão?
Existirá ainda a magia
Que une os pedaços do coração?

As almas são o mais frágil cristal
E partem-se com o mais dócil sopro de vento
Tristemente se escondem perante o mal
Dançando entre sombras de desalento

Poderá ainda alguém afogar
Este, tão desdenhoso, sofrimento?
Se a ignorância corrompe o ar
Conhecerá ainda alguém o sentimento?

Sunday, March 9, 2008

Infeliz seja a hipocrisia...

Ah, doce hipocrisia
Confusa e elegante fantasia
Que destrói uma amizade num só momento
Tão rápido e triste, o pensamento

Qual punhal, o meu coração atinges
Querida e falsa amiga, porque finges?
Se a simples ocultação da verdade
Só traz mágoa e infelicidade

Trágica hipocrisia, o que fizeste?
Tantos anos de amizade desfizeste
Facilmente te reconheci
Venceste-me! Eu já caí...

Wednesday, February 20, 2008

Pedaços de sonhos e sentimentos confusos...

Será que ele sente?
O turbilhão de emoções sob a minha pele
Tão frágil, tão doce, mas também cruel
Enquanto contemplo o sol poente

Será amor?
Se só eu vejo a beleza no teu olhar
Se só eu tremo ao sentir-te suspirar
O sentimento segue-me aonde eu for

Devo sonhar?
Enquanto o meu coração navega em espiral
Libertando alegria em pedaços de cristal
Será que alguma vez me irás amar?

Thursday, February 14, 2008

Fatal dia de S. Valentim...

O sol esconde-se em luto fatal
A lua chora lágrimas de sal
O vento mal sopra, quase sem vida
Só a natureza vê a mágoa sentida

Pois agora chegou a altura
Mais um corpo encontrou a sepultura
Num dia tão belo, tão cheio de amor
Todos ignoram a derradeira dor

Mas também foi esse amor que me levou
Ensinou-me a voar e as asas me cortou
Trancou-me no inferno, depois de me levar ao céu
Ninguém saberá, tudo esconde o meu véu


Perdi tudo, nem sei quem sou
Ofereci a alma a quem me matou
Mas ainda vive o meu amor por ti
A emoção perdura, só eu é que morri...

Monday, February 4, 2008

Sem ela, tudo se perdeu...

Presa num mundo ao qual nunca pertenci
Pergunto a mim própria o que faço aqui
O meu coração é agora teu
E, sem ele, a minha alma pereceu

A vida escorre pela minha pele fria
Apagando toda a dor que sentia
Eras a única luz do meu ser
E, sem ela, não quis mais viver

Branca, gelada, enfrentei a morte
Assim se esvaneceu a tua sorte
Eu caí, sem vida, aos teus pés
E, sem mim, tu nada és

Wednesday, January 16, 2008

Em delírio...

Não sabes quem és, onde estás
Deixaste o mundo para trás
Só vives nesse único delírio
Que se esvanece em martírio

Numa pura ausência de compreensão
Invocas o nome da Solidão
Tornando-se claro como água
A existência do teu mundo de mágoa

Mas continuarás, então
A apodrecer na escuridão
Enquanto a vida reluz?

Será que não acreditas na alegria?
Ou talvez tudo o que antes existia
No teu desespero, não mais seduz...

Wednesday, January 9, 2008

Só hoje...

Só hoje te vi
Só hoje amei
Só hoje vivi
Porque te encontrei

Só hoje sonhei
Com o teu sorriso
E não mais chorei
Pois já não é preciso

Só hoje descobri
Que a quem leva o amor
Também dança, também ri
Nem tudo é mágoa, nem tudo é dor

Tuesday, January 8, 2008

Levam-te a alma...

O aroma a sangue perturba o ar
Nos cantos, esconde-se a solidão
Se ousares mais do que respirar
Também te leva a escuridão

Doce inocência, que tudo revelas
Levam-te a alma, levam a tua essência
E, por arte de sombrias velas
Se mostra inútil a tua existência

Cânticos de morte são trazidos pelo vento
Chora a Terra, pela filha que perdeu
E enquanto rodopia o desalento
O doce torna-se amargo, pelo mundo que sofreu

Sunday, January 6, 2008

Só a ti...

Na tua crua ausência, desespera
A pura escuridão e o raio de luz
Tal como eu, todo o mundo espera
Por aquele, cujo olhar seduz

Rasga esse véu de desalento
Que cobre um coração inocente
Desfaz o ínfimo sofrimento
Que me fragilizou, de repente

E, ao libertar a ingenuidade
Esvaeceu-se a tristeza que senti
A minha alma, repleta de sinceridade
Pode dizer que só te amo a ti

Tuesday, December 25, 2007

Sonhos...

Vive
Numa dança rodopiante
Num sonho distante
Pois quem sonha, sobrevive

Esquece
O arrepiante desalento
Aquele inútil sentimento
Enquanto a tristeza adormece

Continua
Na tua existência irreal
Pois a realidade é fatal
E os sonhos brincam à luz da lua

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E um feliz natal para todos... =)
Com muitos sonhos e poucas realidades...hehehe

Monday, December 10, 2007

Amor submisso...

Doce, pura, querida ingenuidade
Tão incorrigível como sincera
Tocando ao de leve a liberdade
A sua bela alma por ele espera

Entre alegrias falsas e momentos
Que o amor quis oferecer, em vão
Dispersando infelizes pensamentos
De uma pálida, gelada solidão

Conheceria ele a noite estrelada
Que brilhava no juvenil amor perdido
Ao partir o coração da sua amada?

Ou será para sempre um desperdício?
Este desesperado anjo caído
Este intemporal e submisso sacrifício

Thursday, November 29, 2007

Apatia outonal...

Folhas que perdem a vida, ao cair
Pálidos tons de amarelo, a fugir
E um vazio, que se esconde na escuridão
Lentamente, apoderando-se do teu coração

Faces brancas, marcadas pelo sal
Um triste nada, no frio outonal
Chorar a vida, até nada mais restar
Deixando a alma, que se irá evaporar

Como um fantasma, como vidro partido
Gemendo suavemente pelo coração ferido
Doce apatia, nada és, tudo desfazes
Que desalento infernizado é o que trazes...


Thursday, November 22, 2007

A tua escuridão

Noite escura, o luar tremia
Nada se viu, ninguém viria
Arrepiada por um coração de gelo
Um grito na escuridão, começou o pesadelo

Perdida, sem poder acordar
A realidade, não podia tocar
Estilhaçada por amar demais
Deu-te tudo, não poderias querer mais

O sacrifício de uma vida por viver
Sem mais amar, respirar, compreender
A tua rosa, a tua escuridão
Que seja agora a tua maldição

Fórmulas sádicas

(dedicada à minha aula de matemática...xD)

Era uma sala infeliz, empoeirada
Cheia de vidas, perdidas no tempo
Presas numa rede desesperada
Crua melancolia, desalento

Uma armada de fórmulas escondidas
Quebrava a luz, quase inexistente
Jovens, frágeis almas, já perdidas
Tudo era triste, tudo era inconsistente

São poucos os que conseguem compreender
O sentido deste lugar, a razão
Procura-se, embora, sobreviver
Entre raiva, desapontamento e solidão

Sunday, November 18, 2007

Melancolia...

Mas, quem és tu, melancolia?
Doce, frágil e enregelada
Eras a que tudo compreendia
Eras a feliz e a amada

Aterrorizada, triste apatia
Perdeu o amor, não tem mais nada
Enterrada nesta terra fria
Assim caiu ela, desamparada

Enquanto o ingénuo mundo se ria
Da pobre criança, desesperada
O riso, ao longe, se partia
Ninguém mais foi feliz, pois ela chorava


Wednesday, November 14, 2007

Estilhaços poéticos sobre a aceitação da morte

Mar de lágrimas de tristeza congelada
Luz que se esvaneceu na sua face rosada
Estilhaçar o sonho, a alegria de viver
A certeza ensanguentada de que está a morrer

Quanto sofri? Quanto sorri? Quanto chorei?
Quanto escrevi? Quanto vivi? Quanto amei?
Quanto me escondi nos confins da escuridão?
Quanto me ri da ironia da solidão?

Na vida, tudo se perde, tudo se chora
Quem se ama, o que se quer, onde se mora
Será o fim acabar a alegria ou a dor?
Porque morres tu? Eu morro por amor...

Tuesday, October 2, 2007

Vida? Morte? Ou um pouco de ambas?

Terra repleta de almas soterradas
Jardim negro de lápides esbranquiçadas
Ouro sobre azul, em paz acaba a vida
O corpo junto à terra, a mágoa adormecida

Vivendo em dor, infelicidade e sofrimento
Porque não desejar outro, mais doce, sentimento?
Pelas minhas próprias mãos desfiz-me, morri
Esvaneceu-se a dor, mas tudo o resto perdi

A morte é o fogo e a vida é a chama
Quem não vive, não sonha, não ri, não ama
Trocar a dor pela solidão?
Talvez sim... Talvez não...

Monday, October 1, 2007

Notícias: Carpe diem?

Como se pode ver, pesquisando um pouco nos arquivos, escrevi, há alguns meses, a meio de uma aula de física, enquanto conversava com dois loucos colegas sobre temas deveras estranhos, um poema ao qual chamei "Carpe diem?"

(deixa-se o link para facilitar o trabalho:
http://fatalidades-da-literatura.blogspot.com/2007/06/carpe-diem.html )

acontece que esse perturbadoramente belo poema (não sou nada modesta, pois não?)
aparece agora num vídeo, realizado pelo conhecido realizador (e meu amigo) Miguel Cravo...

Embora o poema não tenha sido interpretado como eu esperava que fosse, tenho de admitir que me encanta a ideia de ver um poema meu num vídeo alheio...E que até fica bem...

É claro que gostava que vissem, por isso o deixo também por aqui...