Sunday, June 7, 2009

Caminhos... :)

Sonhar...
Percorrer o horizonte,
Correr sobre a mais frágil ponte,
Sem sentir o medo de tropeçar...

Num mundo de contas coloridas,
Perdido, muito além do sol poente,
Alcançando fantasias desconhecidas...
Se pudesse percorrer o caminho à minha frente.

Sonhar... Ainda podemos sonhar?
Não há sonho que possa perdurar,
Tendo a alma coberta de gelo...
Pobre mundo...Criado com tanto desvelo...

E se deixar para trás a realidade?
Ainda tenho um caminho por percorrer,
Um sonho, escondido pela fragilidade,
E um ou dois poemas por escrever...

*devo, de momento, a minha inspiração a Robert Frost, pelo poema "The Road Not Taken* :)

Friday, March 20, 2009

No fim do universo...

Poeira dourada que se desfaz no ar
Cintila suavemente no céu estrelado
E no momento mais oportuno para sonhar
Tudo se perde neste mundo estilhaçado

Tão inexplicável e profunda a solidão
Que não caberia neste ínfimo verso
Eu mostro-te...Dá-me a tua mão
E caminhemos até ao fim do universo

Estrelas cadentes doces e luminosas
Perdem o brilho através da queda
As forças da natureza mais poderosas
São tão delicadamente frágeis como seda

Mas o movimento nasce da apatia
E a luz sustém-se através da escuridão
Pois o universo inteiro é apenas ironia
E não existe alegria sem haver solidão...

Friday, February 6, 2009

Soneto de Angústia

Cicatrizes desenhadas a lápis de carvão
Aguarelas de cristal pintam a melancolia
Num canto, em tons de azul, a solidão
Mas nem um frágil vestígio de alegria

A ampulheta de uma vida de suplício
Arde nas chamas da nocturna apatia
Enquanto estilhaços de fogo de artifício
Apagam as velas de uma primavera fria

O cântico suave de mágoas adormecidas
Arrepia as raízes de uma planta magoada
E ingénuas melodias de pessoas perdidas
Vêm tocar neste ligeiro pedaço de nada

"O que desenhas tu, tão docemente?"
"O coração espelhado de uma alma inocente"



Sunday, February 1, 2009

O amor é indescritível...

A sua alma foi levada pelo vento
O seu corpo foi consumido pela esperança
E enquanto a indiferença oculta o desalento
Esconde o coração num sonho de criança

É uma rosa, cujas pétalas já caíram
É uma nuvem, que a terra quer alcançar
Os seus sonhos, demasiado frágeis, ruíram
É uma batalha perdida antes de começar

Tal como a luz se estilhaça na escuridão
E a suave alegria acaba por se perder
Assim se esconde a glória na solidão
Enquanto eu anseio por esse delicado ser

Se pudesse criar os seus sonhos perdidos
Daria a vida e a alma, sem nunca hesitar
Enquanto partilhamos corações partidos
Te prometo que sempre te irei amar

* depois de muito tempo sem escrever, saíu-me mais um poema... um dia antes do meu exame de alemão...
presumo que seja a ironia do destino... :) *

Thursday, September 11, 2008

Solidão

Quando as palavras consomem o momento
E, hesitando, percorre o sentimento
Um caminho de profunda apatia
Triste fortuna, trágica agonia

O dia parece não acabar
O corpo já só sabe respirar
A alma partiu para outra vida
Demasiada mágoa sentida

Se pudesse fechar a alma ao sofrimento
E esquecer o fatal pensamento
Que suavemente desfaz o coração...
Pura e inigualável solidão

Seria talvez mais feliz
Por não saber o que disse ou fiz?
Será a ingenuidade a salvação?
Ou mais um estilhaço de destruição...

Monday, June 2, 2008

Nem tudo se limita ao "memento mori"...

Com uma flor-de-lótus embainhada nas veias
Ela flutua através de inúmeras teias
Deslizando entre as chamas de um fogo já extinto
A vida consumida por cálices de absinto...

O riso estilhaçado pela melancolia
O canto enterrado, a noite tão fria
O campo de batalha no seu coração
A vida apagada pela solidão

E ela plantou a flor que sangrava
Por entre a mágoa ela dançava
A sua alma sustentada por um fio tão fino
A luta constante contra o destino

Ela nunca baixou o olhar
Nunca se escondeu ou deixou dominar
Deixando a mensagem que eu não queria ouvir:
Nunca te escondas...Não queiras desistir!


* "Memento mori" é um dos temas principais da poesia do Barroco... Tendo estado a estudá-la nas aulas de alemão, quis aproveitar o tema... =))
Esta é a história de alguém que, embora sofresse demasiado, não escolheu a morte de livre vontade...Não procurou a morte... Não se importou minimamente com ela...
Pois, nem tudo se limita à morte... "Memento mori" lembra-nos de que um dia iremos morrer... Eu procuro lembrar que estamos vivos... =)
Às vezes, podemos construir cidades inteiras a partir de destroços...


Não acredito que não escrevi nada durante um mês inteiro... Isto é um crime... =/ *

Sunday, April 20, 2008

Abismo...

Agarrando-me aos estilhaços de esperança
Deixo-me consumir pela insegurança
Contando inúmeras lágrimas de prata
Escondo, dentro de mim, o que me mata

Cânticos inocentes confundem o coração
Gotas de chuva gelada libertam a solidão
Sonhos infelizes perturbam a vida real
Palavras envenenadas e um destino fatal

Abre os olhos e vê os pedaços a vaguear
Fazem parte da alma que não conseguiu aguentar
A tristeza da vida e o sofrimento do mundo
Deixou-se cair nesse abismo profundo