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Tuesday, October 26, 2010

Histórias...

Era uma vez um castelo

em chamas.
Uma torrente de risos
queimados.
Um mortiço olhar de
despeito.
Vida.

Era um dia pálido e cinzento.
Eu contei até três e
saltei
de novo
para o abismo.

Mais uma vez.
Não podes.
Não paras a dor que atravessa o teu corpo,
lâmina prateada, silvando de horror.

Conta-me uma história,
uma história que não exista.
Quero fingir que sou outra e que
a vida que levo
afinal não é minha.

Eu não sou
completa.
Ser homogéneo e
inteiro.
Eu subsisto em vão.

Por uma vez, assume que não és pessoa!

Friday, May 21, 2010

As palavras que eu sou...

Sinto-me como um fantasma atraiçoado,
Névoa esvoaçante, meio perdida,
Augúrio infeliz de solidão.
Arrasto-me, vencida, pelo chão
De mármore pálido da vida,
Pela luz, há tanto tempo, abandonado.

Nesta visão onírica de trevas,
Neste espelho de fulcral alucinação,
Fujo desses meus gritos de dor.
E embora neste dia claro esteja calor,
O corpo treme com o enregelar do coração.
Sofrimento, para que abismo me levas?

Thursday, March 27, 2008

Conversas comigo mesma...

"Reflexos de um espelho de memória
Distorcem o olhar do coração
Escondem a alegria na escuridão
Imaginas-te a contar a tua história?

A preocupação, a tristeza
Que suavemente guardas no regaço
Que torna o teu olhar gélido e baço
Que te faz sempre sentir tão presa"

"Essa preocupação, por mim sentida
É porque existo para os ajudar
E se eles não soubessem cantar
De nada serviria a minha vida

E se a infelicidade me matar
Eles me guardarão na memória
Para que serve contar a minha história
Se não existir história para contar?"

Thursday, February 14, 2008

Fatal dia de S. Valentim...

O sol esconde-se em luto fatal
A lua chora lágrimas de sal
O vento mal sopra, quase sem vida
Só a natureza vê a mágoa sentida

Pois agora chegou a altura
Mais um corpo encontrou a sepultura
Num dia tão belo, tão cheio de amor
Todos ignoram a derradeira dor

Mas também foi esse amor que me levou
Ensinou-me a voar e as asas me cortou
Trancou-me no inferno, depois de me levar ao céu
Ninguém saberá, tudo esconde o meu véu


Perdi tudo, nem sei quem sou
Ofereci a alma a quem me matou
Mas ainda vive o meu amor por ti
A emoção perdura, só eu é que morri...

Monday, February 4, 2008

Sem ela, tudo se perdeu...

Presa num mundo ao qual nunca pertenci
Pergunto a mim própria o que faço aqui
O meu coração é agora teu
E, sem ele, a minha alma pereceu

A vida escorre pela minha pele fria
Apagando toda a dor que sentia
Eras a única luz do meu ser
E, sem ela, não quis mais viver

Branca, gelada, enfrentei a morte
Assim se esvaneceu a tua sorte
Eu caí, sem vida, aos teus pés
E, sem mim, tu nada és

Wednesday, January 16, 2008

Em delírio...

Não sabes quem és, onde estás
Deixaste o mundo para trás
Só vives nesse único delírio
Que se esvanece em martírio

Numa pura ausência de compreensão
Invocas o nome da Solidão
Tornando-se claro como água
A existência do teu mundo de mágoa

Mas continuarás, então
A apodrecer na escuridão
Enquanto a vida reluz?

Será que não acreditas na alegria?
Ou talvez tudo o que antes existia
No teu desespero, não mais seduz...