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Monday, June 2, 2008

Nem tudo se limita ao "memento mori"...

Com uma flor-de-lótus embainhada nas veias
Ela flutua através de inúmeras teias
Deslizando entre as chamas de um fogo já extinto
A vida consumida por cálices de absinto...

O riso estilhaçado pela melancolia
O canto enterrado, a noite tão fria
O campo de batalha no seu coração
A vida apagada pela solidão

E ela plantou a flor que sangrava
Por entre a mágoa ela dançava
A sua alma sustentada por um fio tão fino
A luta constante contra o destino

Ela nunca baixou o olhar
Nunca se escondeu ou deixou dominar
Deixando a mensagem que eu não queria ouvir:
Nunca te escondas...Não queiras desistir!


* "Memento mori" é um dos temas principais da poesia do Barroco... Tendo estado a estudá-la nas aulas de alemão, quis aproveitar o tema... =))
Esta é a história de alguém que, embora sofresse demasiado, não escolheu a morte de livre vontade...Não procurou a morte... Não se importou minimamente com ela...
Pois, nem tudo se limita à morte... "Memento mori" lembra-nos de que um dia iremos morrer... Eu procuro lembrar que estamos vivos... =)
Às vezes, podemos construir cidades inteiras a partir de destroços...


Não acredito que não escrevi nada durante um mês inteiro... Isto é um crime... =/ *

Sunday, April 20, 2008

Abismo...

Agarrando-me aos estilhaços de esperança
Deixo-me consumir pela insegurança
Contando inúmeras lágrimas de prata
Escondo, dentro de mim, o que me mata

Cânticos inocentes confundem o coração
Gotas de chuva gelada libertam a solidão
Sonhos infelizes perturbam a vida real
Palavras envenenadas e um destino fatal

Abre os olhos e vê os pedaços a vaguear
Fazem parte da alma que não conseguiu aguentar
A tristeza da vida e o sofrimento do mundo
Deixou-se cair nesse abismo profundo

Thursday, March 27, 2008

Conversas comigo mesma...

"Reflexos de um espelho de memória
Distorcem o olhar do coração
Escondem a alegria na escuridão
Imaginas-te a contar a tua história?

A preocupação, a tristeza
Que suavemente guardas no regaço
Que torna o teu olhar gélido e baço
Que te faz sempre sentir tão presa"

"Essa preocupação, por mim sentida
É porque existo para os ajudar
E se eles não soubessem cantar
De nada serviria a minha vida

E se a infelicidade me matar
Eles me guardarão na memória
Para que serve contar a minha história
Se não existir história para contar?"

Thursday, February 14, 2008

Fatal dia de S. Valentim...

O sol esconde-se em luto fatal
A lua chora lágrimas de sal
O vento mal sopra, quase sem vida
Só a natureza vê a mágoa sentida

Pois agora chegou a altura
Mais um corpo encontrou a sepultura
Num dia tão belo, tão cheio de amor
Todos ignoram a derradeira dor

Mas também foi esse amor que me levou
Ensinou-me a voar e as asas me cortou
Trancou-me no inferno, depois de me levar ao céu
Ninguém saberá, tudo esconde o meu véu


Perdi tudo, nem sei quem sou
Ofereci a alma a quem me matou
Mas ainda vive o meu amor por ti
A emoção perdura, só eu é que morri...

Monday, February 4, 2008

Sem ela, tudo se perdeu...

Presa num mundo ao qual nunca pertenci
Pergunto a mim própria o que faço aqui
O meu coração é agora teu
E, sem ele, a minha alma pereceu

A vida escorre pela minha pele fria
Apagando toda a dor que sentia
Eras a única luz do meu ser
E, sem ela, não quis mais viver

Branca, gelada, enfrentei a morte
Assim se esvaneceu a tua sorte
Eu caí, sem vida, aos teus pés
E, sem mim, tu nada és

Tuesday, January 8, 2008

Levam-te a alma...

O aroma a sangue perturba o ar
Nos cantos, esconde-se a solidão
Se ousares mais do que respirar
Também te leva a escuridão

Doce inocência, que tudo revelas
Levam-te a alma, levam a tua essência
E, por arte de sombrias velas
Se mostra inútil a tua existência

Cânticos de morte são trazidos pelo vento
Chora a Terra, pela filha que perdeu
E enquanto rodopia o desalento
O doce torna-se amargo, pelo mundo que sofreu

Thursday, November 22, 2007

A tua escuridão

Noite escura, o luar tremia
Nada se viu, ninguém viria
Arrepiada por um coração de gelo
Um grito na escuridão, começou o pesadelo

Perdida, sem poder acordar
A realidade, não podia tocar
Estilhaçada por amar demais
Deu-te tudo, não poderias querer mais

O sacrifício de uma vida por viver
Sem mais amar, respirar, compreender
A tua rosa, a tua escuridão
Que seja agora a tua maldição

Wednesday, November 14, 2007

Estilhaços poéticos sobre a aceitação da morte

Mar de lágrimas de tristeza congelada
Luz que se esvaneceu na sua face rosada
Estilhaçar o sonho, a alegria de viver
A certeza ensanguentada de que está a morrer

Quanto sofri? Quanto sorri? Quanto chorei?
Quanto escrevi? Quanto vivi? Quanto amei?
Quanto me escondi nos confins da escuridão?
Quanto me ri da ironia da solidão?

Na vida, tudo se perde, tudo se chora
Quem se ama, o que se quer, onde se mora
Será o fim acabar a alegria ou a dor?
Porque morres tu? Eu morro por amor...

Tuesday, October 2, 2007

Vida? Morte? Ou um pouco de ambas?

Terra repleta de almas soterradas
Jardim negro de lápides esbranquiçadas
Ouro sobre azul, em paz acaba a vida
O corpo junto à terra, a mágoa adormecida

Vivendo em dor, infelicidade e sofrimento
Porque não desejar outro, mais doce, sentimento?
Pelas minhas próprias mãos desfiz-me, morri
Esvaneceu-se a dor, mas tudo o resto perdi

A morte é o fogo e a vida é a chama
Quem não vive, não sonha, não ri, não ama
Trocar a dor pela solidão?
Talvez sim... Talvez não...

Monday, September 24, 2007

Tudo em nome do amor...

Quando a questionei sobre o amor
O seu olhar brilhou com tal ardor
Que tremi, de mágoa e sofrimento
Enquanto amaldiçoava o sentimento

Como um fantasma, tinha perdido a sua luz
Aprisionada na fantasia que seduz
Até a mais cínica inclemência
Castigando a alma pela imprudência

Contou-me assim como a alma escureceu
Como o corpo, na escuridão se esvaneceu
Qual choro de solidão, pelo amado esquecida
Assim, percebi eu, tinha perdido a vida

Monday, September 17, 2007

A súplica

Pensei nunca voltar a ver a luz do dia
Quando vi outra nos teus braços
O meu coração desmaia de agonia
Enquanto os meus olhos ficam baços

Dentro de mim, já só existe um vazio
Um buraco negro nesse teu universo
Enquanto de mim se apodera o frio
Deixo-te estas simples palavras em verso

Agora só te peço que acabes comigo
Enquanto o orgulho me impede de chorar
Não aguentarei vê-la contigo
Lentamente, já me estás a matar

Thursday, August 30, 2007

Tudo partiu...

Pálida, com a morte no olhar
Frágil, mal podia respirar
Doce, como a brisa matinal
Pura como o mais belo cristal

Triste, como lágrimas a cair
Distante, sem se atrever a sorrir
Ninguém a amou, ninguém a segurou
Ela tudo perdeu e tudo deixou

Um segundo e ela deixou de existir
Já não haveria razão para mentir
A sua doçura, em sangue se esvaiu
Ela era tudo, mas tudo partiu...