Monday, August 27, 2007

Donzela de um rio de mágoas

Numa noite fria, à luz da lua
Foi quando encontraste uma alma nua
Que chorava, por temor à solidão
E se enterrava na pura escuridão

Enfeitiçado pela doçura do seu olhar
Procuraste, à cautela, te aproximar
Olhaste o sangue que se misturava com a água
E fugiste da donzela e da sua mágoa

Água do rio que o seu sangue levou
E, com ele, os seus sonhos roubou
Deixou a adulta, que ainda era criança
Deixando espaço para uma última dança

A frágil jovem, por fim, cedeu
E nestas águas permaneceu
Demasiado doce para fugir
A quem a torturou para se divertir