Sunday, January 6, 2008

Só a ti...

Na tua crua ausência, desespera
A pura escuridão e o raio de luz
Tal como eu, todo o mundo espera
Por aquele, cujo olhar seduz

Rasga esse véu de desalento
Que cobre um coração inocente
Desfaz o ínfimo sofrimento
Que me fragilizou, de repente

E, ao libertar a ingenuidade
Esvaeceu-se a tristeza que senti
A minha alma, repleta de sinceridade
Pode dizer que só te amo a ti

Tuesday, December 25, 2007

Sonhos...

Vive
Numa dança rodopiante
Num sonho distante
Pois quem sonha, sobrevive

Esquece
O arrepiante desalento
Aquele inútil sentimento
Enquanto a tristeza adormece

Continua
Na tua existência irreal
Pois a realidade é fatal
E os sonhos brincam à luz da lua

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E um feliz natal para todos... =)
Com muitos sonhos e poucas realidades...hehehe

Monday, December 10, 2007

Amor submisso...

Doce, pura, querida ingenuidade
Tão incorrigível como sincera
Tocando ao de leve a liberdade
A sua bela alma por ele espera

Entre alegrias falsas e momentos
Que o amor quis oferecer, em vão
Dispersando infelizes pensamentos
De uma pálida, gelada solidão

Conheceria ele a noite estrelada
Que brilhava no juvenil amor perdido
Ao partir o coração da sua amada?

Ou será para sempre um desperdício?
Este desesperado anjo caído
Este intemporal e submisso sacrifício

Thursday, November 29, 2007

Apatia outonal...

Folhas que perdem a vida, ao cair
Pálidos tons de amarelo, a fugir
E um vazio, que se esconde na escuridão
Lentamente, apoderando-se do teu coração

Faces brancas, marcadas pelo sal
Um triste nada, no frio outonal
Chorar a vida, até nada mais restar
Deixando a alma, que se irá evaporar

Como um fantasma, como vidro partido
Gemendo suavemente pelo coração ferido
Doce apatia, nada és, tudo desfazes
Que desalento infernizado é o que trazes...


Thursday, November 22, 2007

A tua escuridão

Noite escura, o luar tremia
Nada se viu, ninguém viria
Arrepiada por um coração de gelo
Um grito na escuridão, começou o pesadelo

Perdida, sem poder acordar
A realidade, não podia tocar
Estilhaçada por amar demais
Deu-te tudo, não poderias querer mais

O sacrifício de uma vida por viver
Sem mais amar, respirar, compreender
A tua rosa, a tua escuridão
Que seja agora a tua maldição

Fórmulas sádicas

(dedicada à minha aula de matemática...xD)

Era uma sala infeliz, empoeirada
Cheia de vidas, perdidas no tempo
Presas numa rede desesperada
Crua melancolia, desalento

Uma armada de fórmulas escondidas
Quebrava a luz, quase inexistente
Jovens, frágeis almas, já perdidas
Tudo era triste, tudo era inconsistente

São poucos os que conseguem compreender
O sentido deste lugar, a razão
Procura-se, embora, sobreviver
Entre raiva, desapontamento e solidão

Sunday, November 18, 2007

Melancolia...

Mas, quem és tu, melancolia?
Doce, frágil e enregelada
Eras a que tudo compreendia
Eras a feliz e a amada

Aterrorizada, triste apatia
Perdeu o amor, não tem mais nada
Enterrada nesta terra fria
Assim caiu ela, desamparada

Enquanto o ingénuo mundo se ria
Da pobre criança, desesperada
O riso, ao longe, se partia
Ninguém mais foi feliz, pois ela chorava


Wednesday, November 14, 2007

Estilhaços poéticos sobre a aceitação da morte

Mar de lágrimas de tristeza congelada
Luz que se esvaneceu na sua face rosada
Estilhaçar o sonho, a alegria de viver
A certeza ensanguentada de que está a morrer

Quanto sofri? Quanto sorri? Quanto chorei?
Quanto escrevi? Quanto vivi? Quanto amei?
Quanto me escondi nos confins da escuridão?
Quanto me ri da ironia da solidão?

Na vida, tudo se perde, tudo se chora
Quem se ama, o que se quer, onde se mora
Será o fim acabar a alegria ou a dor?
Porque morres tu? Eu morro por amor...

Tuesday, October 2, 2007

Vida? Morte? Ou um pouco de ambas?

Terra repleta de almas soterradas
Jardim negro de lápides esbranquiçadas
Ouro sobre azul, em paz acaba a vida
O corpo junto à terra, a mágoa adormecida

Vivendo em dor, infelicidade e sofrimento
Porque não desejar outro, mais doce, sentimento?
Pelas minhas próprias mãos desfiz-me, morri
Esvaneceu-se a dor, mas tudo o resto perdi

A morte é o fogo e a vida é a chama
Quem não vive, não sonha, não ri, não ama
Trocar a dor pela solidão?
Talvez sim... Talvez não...

Monday, October 1, 2007

Notícias: Carpe diem?

Como se pode ver, pesquisando um pouco nos arquivos, escrevi, há alguns meses, a meio de uma aula de física, enquanto conversava com dois loucos colegas sobre temas deveras estranhos, um poema ao qual chamei "Carpe diem?"

(deixa-se o link para facilitar o trabalho:
http://fatalidades-da-literatura.blogspot.com/2007/06/carpe-diem.html )

acontece que esse perturbadoramente belo poema (não sou nada modesta, pois não?)
aparece agora num vídeo, realizado pelo conhecido realizador (e meu amigo) Miguel Cravo...

Embora o poema não tenha sido interpretado como eu esperava que fosse, tenho de admitir que me encanta a ideia de ver um poema meu num vídeo alheio...E que até fica bem...

É claro que gostava que vissem, por isso o deixo também por aqui...

Friday, September 28, 2007

Anjo perdido

Ela era um anjo, pintada de dourado
Numa caixa de esperança, o seu coração guardado
Num mar de felicidade, a sua alma reluzia
Com todo o amor do mundo, ela sorria

Até que, um dia, te entregou o coração
Até que a sua alma tremeu de paixão
Até que lhe arrancaste todo o sentimento
A sua sanidade só durou um momento

As suas vestes e faces cobriram-se de escuridão
A sua frágil alma encheu-se de solidão
A sua mente estilhaçou-se, perdida
Ela não está morta, mas perdeu a vida

Ela foi um anjo, o seu olhar brilhou
O seu coração sorriu, a sua alma sonhou
Agora é depressão e do mundo se escondeu
Ela era um anjo e esse anjo era eu

Monday, September 24, 2007

Tudo em nome do amor...

Quando a questionei sobre o amor
O seu olhar brilhou com tal ardor
Que tremi, de mágoa e sofrimento
Enquanto amaldiçoava o sentimento

Como um fantasma, tinha perdido a sua luz
Aprisionada na fantasia que seduz
Até a mais cínica inclemência
Castigando a alma pela imprudência

Contou-me assim como a alma escureceu
Como o corpo, na escuridão se esvaneceu
Qual choro de solidão, pelo amado esquecida
Assim, percebi eu, tinha perdido a vida

Monday, September 17, 2007

A tempestade

A noite chorava de amor perdido
O céu escondia-se, esquecido
Por entre o suave brilho do luar
Os sonhos mal podiam respirar

Transformou-se em fúria, a tristeza
Reclamou-se a perdida beleza
Transformou-se em dor, a mágoa
E o que caiu do céu já não era água

Raios desfizeram a futilidade ignorante
E assim voltou o sentimento distante
Que dava pelo nome de saudade
Sem saber, todos amámos a tempestade

A súplica

Pensei nunca voltar a ver a luz do dia
Quando vi outra nos teus braços
O meu coração desmaia de agonia
Enquanto os meus olhos ficam baços

Dentro de mim, já só existe um vazio
Um buraco negro nesse teu universo
Enquanto de mim se apodera o frio
Deixo-te estas simples palavras em verso

Agora só te peço que acabes comigo
Enquanto o orgulho me impede de chorar
Não aguentarei vê-la contigo
Lentamente, já me estás a matar

Tuesday, September 11, 2007

A esperança

Emotiva canção no sonho de alguém
Escondida, perdida ou ignorada
Segundo ela própria, não é ninguém
Segundo o mundo, ela não é nada

Mas os seus olhos brilhavam de vida
Ela era a esperança, na sua forma mais bela
Mas até a esperança podia ser esquecida
E aprisionada na mais profunda cela

Choravam os pobres e os oprimidos
Pela esperança que já não existia
Gritavam os sonhadores perdidos
Pela esperança que agora morria

Eu viverei enquanto de mim se lembrarem
Sorriu a esperança, com eterna calma
A esperança viverá naqueles que sonharem
Perdeu-se o corpo, mas resta a alma

Monday, September 10, 2007

Agora sou tua...

Qual flor murcha, fizeste-me desaparecer
Nas trevas, eu me irei esvanecer
Quebraste as barreiras, escondendo saudade
E, um dia, me trouxeste à realidade

Eu era uma alma frágil sem lugar para onde ir
Ocultaste as mágoas, fizeste-me sorrir
Agora sou tua, mas quem sou eu?
O corpo vazio de uma alma que morreu

A realidade é um prédio cruel
Com janelas de mármore e chão de papel
Agora sou tua, derramando o sangue pelo chão
Cicatrizes de um sonho que nasceu em vão

Agora engano-te quando sorrio
A minha alma perdeu-se num refúgio frio
Agora sou a tua doce amada
Agora sou tua, mas não sou mais nada


Thursday, September 6, 2007

Escondem-se os poetas...

Lágrimas de poetas escondidos
Lembranças de sonhadores incompreendidos
O sabor a maresia perdido no ar
O amor à poesia, uma canção de embalar

As mágoas encerradas em palavras por perceber
O frágil desejo de desaparecer
Uma vida que o lápis desenhou
Um único sorriso que congelou

Enquanto o poeta conduz a dança
Afogam-se os tristes no mar da esperança
Escondem-se os traumas na terra fria
Rejeita-se o amor, esquece-se a poesia

Um dia, também eu serei esquecida
E, como Atlândida, estarei desaparecida
Um dia, se perderá o fogo do amor
Pois a sociedade a nada dá valor

Saturday, September 1, 2007

A escuridão

Mágoas na alma e cinzas na solidão
Sombras infelizes que ocultam a escuridão
Porque a escuridão não pertence ao mundo
Porque a escuridão é algo mais profundo

A escuridão oculta tristeza e desejo de morrer
A escuridão pertence a quem nela irá desaparecer
A escuridão é doce, simples e pura
Enquanto tudo desaparece, a escuridão perdura

A escuridão é refúgio, a escuridão é o meu lar
A escuridão não questiona nem nunca há de julgar
A escuridão esconde o mais triste pensamento
A compreensão de que a vida é um tormento

Friday, August 31, 2007

Rosa negra (auto-retrato)

Rosa negra como a depressão
Que haverá de afastar o mundo
Os meus espinhos são o sangue no chão
Se vier a morte, não esperarei um segundo

Rosa negra em busca de ternura
Rosa negra que só sente rejeição
Sou uma rosa à beira da loucura
Que se há de afogar na escuridão

Rosa negra levemente apaixonada
Rosa que sonha com um dia de alegria
Uma rosa que, nos teus braços, não é nada
Sem a noite vir, enquanto brilha o dia

Mas a rosa negra, um dia, será tua
Meu trágico e incompreendido amor
E quando o sol fugir e vier a lua
Lá estaremos os dois, lá se apaga a dor

Thursday, August 30, 2007

Tudo partiu...

Pálida, com a morte no olhar
Frágil, mal podia respirar
Doce, como a brisa matinal
Pura como o mais belo cristal

Triste, como lágrimas a cair
Distante, sem se atrever a sorrir
Ninguém a amou, ninguém a segurou
Ela tudo perdeu e tudo deixou

Um segundo e ela deixou de existir
Já não haveria razão para mentir
A sua doçura, em sangue se esvaiu
Ela era tudo, mas tudo partiu...