Sunday, November 18, 2007

Melancolia...

Mas, quem és tu, melancolia?
Doce, frágil e enregelada
Eras a que tudo compreendia
Eras a feliz e a amada

Aterrorizada, triste apatia
Perdeu o amor, não tem mais nada
Enterrada nesta terra fria
Assim caiu ela, desamparada

Enquanto o ingénuo mundo se ria
Da pobre criança, desesperada
O riso, ao longe, se partia
Ninguém mais foi feliz, pois ela chorava


Wednesday, November 14, 2007

Estilhaços poéticos sobre a aceitação da morte

Mar de lágrimas de tristeza congelada
Luz que se esvaneceu na sua face rosada
Estilhaçar o sonho, a alegria de viver
A certeza ensanguentada de que está a morrer

Quanto sofri? Quanto sorri? Quanto chorei?
Quanto escrevi? Quanto vivi? Quanto amei?
Quanto me escondi nos confins da escuridão?
Quanto me ri da ironia da solidão?

Na vida, tudo se perde, tudo se chora
Quem se ama, o que se quer, onde se mora
Será o fim acabar a alegria ou a dor?
Porque morres tu? Eu morro por amor...

Tuesday, October 2, 2007

Vida? Morte? Ou um pouco de ambas?

Terra repleta de almas soterradas
Jardim negro de lápides esbranquiçadas
Ouro sobre azul, em paz acaba a vida
O corpo junto à terra, a mágoa adormecida

Vivendo em dor, infelicidade e sofrimento
Porque não desejar outro, mais doce, sentimento?
Pelas minhas próprias mãos desfiz-me, morri
Esvaneceu-se a dor, mas tudo o resto perdi

A morte é o fogo e a vida é a chama
Quem não vive, não sonha, não ri, não ama
Trocar a dor pela solidão?
Talvez sim... Talvez não...

Monday, October 1, 2007

Notícias: Carpe diem?

Como se pode ver, pesquisando um pouco nos arquivos, escrevi, há alguns meses, a meio de uma aula de física, enquanto conversava com dois loucos colegas sobre temas deveras estranhos, um poema ao qual chamei "Carpe diem?"

(deixa-se o link para facilitar o trabalho:
http://fatalidades-da-literatura.blogspot.com/2007/06/carpe-diem.html )

acontece que esse perturbadoramente belo poema (não sou nada modesta, pois não?)
aparece agora num vídeo, realizado pelo conhecido realizador (e meu amigo) Miguel Cravo...

Embora o poema não tenha sido interpretado como eu esperava que fosse, tenho de admitir que me encanta a ideia de ver um poema meu num vídeo alheio...E que até fica bem...

É claro que gostava que vissem, por isso o deixo também por aqui...

Friday, September 28, 2007

Anjo perdido

Ela era um anjo, pintada de dourado
Numa caixa de esperança, o seu coração guardado
Num mar de felicidade, a sua alma reluzia
Com todo o amor do mundo, ela sorria

Até que, um dia, te entregou o coração
Até que a sua alma tremeu de paixão
Até que lhe arrancaste todo o sentimento
A sua sanidade só durou um momento

As suas vestes e faces cobriram-se de escuridão
A sua frágil alma encheu-se de solidão
A sua mente estilhaçou-se, perdida
Ela não está morta, mas perdeu a vida

Ela foi um anjo, o seu olhar brilhou
O seu coração sorriu, a sua alma sonhou
Agora é depressão e do mundo se escondeu
Ela era um anjo e esse anjo era eu

Monday, September 24, 2007

Tudo em nome do amor...

Quando a questionei sobre o amor
O seu olhar brilhou com tal ardor
Que tremi, de mágoa e sofrimento
Enquanto amaldiçoava o sentimento

Como um fantasma, tinha perdido a sua luz
Aprisionada na fantasia que seduz
Até a mais cínica inclemência
Castigando a alma pela imprudência

Contou-me assim como a alma escureceu
Como o corpo, na escuridão se esvaneceu
Qual choro de solidão, pelo amado esquecida
Assim, percebi eu, tinha perdido a vida

Monday, September 17, 2007

A tempestade

A noite chorava de amor perdido
O céu escondia-se, esquecido
Por entre o suave brilho do luar
Os sonhos mal podiam respirar

Transformou-se em fúria, a tristeza
Reclamou-se a perdida beleza
Transformou-se em dor, a mágoa
E o que caiu do céu já não era água

Raios desfizeram a futilidade ignorante
E assim voltou o sentimento distante
Que dava pelo nome de saudade
Sem saber, todos amámos a tempestade

A súplica

Pensei nunca voltar a ver a luz do dia
Quando vi outra nos teus braços
O meu coração desmaia de agonia
Enquanto os meus olhos ficam baços

Dentro de mim, já só existe um vazio
Um buraco negro nesse teu universo
Enquanto de mim se apodera o frio
Deixo-te estas simples palavras em verso

Agora só te peço que acabes comigo
Enquanto o orgulho me impede de chorar
Não aguentarei vê-la contigo
Lentamente, já me estás a matar

Tuesday, September 11, 2007

A esperança

Emotiva canção no sonho de alguém
Escondida, perdida ou ignorada
Segundo ela própria, não é ninguém
Segundo o mundo, ela não é nada

Mas os seus olhos brilhavam de vida
Ela era a esperança, na sua forma mais bela
Mas até a esperança podia ser esquecida
E aprisionada na mais profunda cela

Choravam os pobres e os oprimidos
Pela esperança que já não existia
Gritavam os sonhadores perdidos
Pela esperança que agora morria

Eu viverei enquanto de mim se lembrarem
Sorriu a esperança, com eterna calma
A esperança viverá naqueles que sonharem
Perdeu-se o corpo, mas resta a alma

Monday, September 10, 2007

Agora sou tua...

Qual flor murcha, fizeste-me desaparecer
Nas trevas, eu me irei esvanecer
Quebraste as barreiras, escondendo saudade
E, um dia, me trouxeste à realidade

Eu era uma alma frágil sem lugar para onde ir
Ocultaste as mágoas, fizeste-me sorrir
Agora sou tua, mas quem sou eu?
O corpo vazio de uma alma que morreu

A realidade é um prédio cruel
Com janelas de mármore e chão de papel
Agora sou tua, derramando o sangue pelo chão
Cicatrizes de um sonho que nasceu em vão

Agora engano-te quando sorrio
A minha alma perdeu-se num refúgio frio
Agora sou a tua doce amada
Agora sou tua, mas não sou mais nada


Thursday, September 6, 2007

Escondem-se os poetas...

Lágrimas de poetas escondidos
Lembranças de sonhadores incompreendidos
O sabor a maresia perdido no ar
O amor à poesia, uma canção de embalar

As mágoas encerradas em palavras por perceber
O frágil desejo de desaparecer
Uma vida que o lápis desenhou
Um único sorriso que congelou

Enquanto o poeta conduz a dança
Afogam-se os tristes no mar da esperança
Escondem-se os traumas na terra fria
Rejeita-se o amor, esquece-se a poesia

Um dia, também eu serei esquecida
E, como Atlândida, estarei desaparecida
Um dia, se perderá o fogo do amor
Pois a sociedade a nada dá valor

Saturday, September 1, 2007

A escuridão

Mágoas na alma e cinzas na solidão
Sombras infelizes que ocultam a escuridão
Porque a escuridão não pertence ao mundo
Porque a escuridão é algo mais profundo

A escuridão oculta tristeza e desejo de morrer
A escuridão pertence a quem nela irá desaparecer
A escuridão é doce, simples e pura
Enquanto tudo desaparece, a escuridão perdura

A escuridão é refúgio, a escuridão é o meu lar
A escuridão não questiona nem nunca há de julgar
A escuridão esconde o mais triste pensamento
A compreensão de que a vida é um tormento

Friday, August 31, 2007

Rosa negra (auto-retrato)

Rosa negra como a depressão
Que haverá de afastar o mundo
Os meus espinhos são o sangue no chão
Se vier a morte, não esperarei um segundo

Rosa negra em busca de ternura
Rosa negra que só sente rejeição
Sou uma rosa à beira da loucura
Que se há de afogar na escuridão

Rosa negra levemente apaixonada
Rosa que sonha com um dia de alegria
Uma rosa que, nos teus braços, não é nada
Sem a noite vir, enquanto brilha o dia

Mas a rosa negra, um dia, será tua
Meu trágico e incompreendido amor
E quando o sol fugir e vier a lua
Lá estaremos os dois, lá se apaga a dor

Thursday, August 30, 2007

Tudo partiu...

Pálida, com a morte no olhar
Frágil, mal podia respirar
Doce, como a brisa matinal
Pura como o mais belo cristal

Triste, como lágrimas a cair
Distante, sem se atrever a sorrir
Ninguém a amou, ninguém a segurou
Ela tudo perdeu e tudo deixou

Um segundo e ela deixou de existir
Já não haveria razão para mentir
A sua doçura, em sangue se esvaiu
Ela era tudo, mas tudo partiu...

Monday, August 27, 2007

Sonho de luz e escuridão

A noite era bela e estrelada
De momento, não sabia mais nada
Esqueci o mundo, fixando o céu
Escondi-me no seu estrelado véu

Por um segundo, ninguém mais chorou
Diria até que o tempo parou
E eu pairava, adormecida
À luz de uma lua já esquecida

Quando voltei a ver o que é real
E senti, dentro de mim, o mesmo mal
Desprezei tudo o que era terreno
E desejei, de novo, o céu sereno

Donzela de um rio de mágoas

Numa noite fria, à luz da lua
Foi quando encontraste uma alma nua
Que chorava, por temor à solidão
E se enterrava na pura escuridão

Enfeitiçado pela doçura do seu olhar
Procuraste, à cautela, te aproximar
Olhaste o sangue que se misturava com a água
E fugiste da donzela e da sua mágoa

Água do rio que o seu sangue levou
E, com ele, os seus sonhos roubou
Deixou a adulta, que ainda era criança
Deixando espaço para uma última dança

A frágil jovem, por fim, cedeu
E nestas águas permaneceu
Demasiado doce para fugir
A quem a torturou para se divertir

Sunday, August 26, 2007

Se...

Se...

Se tristeza fosse só nome de canção
Se as lágrimas fossem só água a cair
Se não houvesse mágoa na solidão
Se não tivesse por que fugir

Se não houvesse trauma na minha mente
Se não houvesse sangue na minha faca
Se tudo se resumisse ao sol poente
Se a vida não fosse tão fraca

Se não houvesse ira nem agonia
Se o meu coração não fosse de cristal
Talvez houvesse sonho na maresia
Talvez eu fosse uma pessoa normal

Monday, July 2, 2007

Pensamentos quebrados...

Sol
Poente
Um frio de gelo
Que me quebra a mente

Noite
De luz
Dança das trevas
Fragilmente me seduz

Caio de novo
Na escuridão
Cruel mundo de solidão

Perdida na triste memória
É o costume, a velha história
Aceitando a flor de papel
Que em breve me rasgaria a pele

Apaixonada pela loucura
Breve desejo de ternura
Eclipsou-se num só momento
Recordações de sofrimento

Thursday, June 21, 2007

Carpe diem?

O tempo é frágil e o dia é perdido
Ao longo dos anos, reina a escuridão
Tormento, tristeza, mágoa, solidão
Porque apenas se dá importância ao dia

Rotina nas acções e trevas na alma
Nestes trágicos dias, que há para aproveitar
Há os que até se quiseram matar
Pois só há paz no vento nocturno

Desprezai a luz e o rumor diurno
A noite ilumina as raízes da filosofia
As estrelas honradas pela poesia
Carpe diem? Nunca! Carpe noctem

A fuga

Foge da esperança sem pensar
Tão triste que mal pode respirar
Gritos ecoam no seu coração
Oceanos de raiva e de solidão

Lágrimas de medo caem na areia
As suas mágoas formam uma teia
Entranhada nos confins da sua mente
Falta-lhe a voz para dizer o que sente

Noites de horror na sua pele queimada
Leves suspiros de uma alma assombrada
Sombras de morte escondem-se na rua
A sua face iluminava a lua

Foge do medo, foge da dor
Falta a alegria, falta o amor
Caí no chão de uma casa trancada
Algures, no tempo, uma luz apagada